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130 Anos de Relações Brasil–Japão: Memória, Comércio e o Que Vem Pela Frente

Átila Pereira Lima
5 min read
January 14, 2026
130 Anos de Relações Brasil–Japão: Memória, Comércio e o Que Vem Pela Frente

Em 2025, Brasil e Japão completaram 130 anos de relações diplomáticas. O marco remonta ao Tratado de Amizade, Comércio e Navegação, assinado em Paris no dia 5 de novembro de 1895 — um acordo que abriu portas para um intercâmbio que foi muito além da diplomacia e moldou a história dos dois países.

Uma relação construída por pessoas

A formalização em 1895 foi só o começo. O capítulo mais emblemático veio em 1908, com a chegada do Kasato Maru ao porto de Santos, trazendo os primeiros imigrantes japoneses ao Brasil. Ao longo do século XX, essa comunidade criou raízes profundas — hoje somos o lar da maior população nikkei fora do Japão. Do outro lado, centenas de milhares de brasileiros vivem e trabalham no Japão. Essa ponte humana é o que dá substância à relação bilateral.

O caminho teve percalços. A Segunda Guerra Mundial interrompeu o diálogo, mas a retomada foi vigorosa. Nas últimas décadas, a cooperação evoluiu para uma Parceria Estratégica Global que abrange política, economia, ciência e tecnologia.

O comércio hoje: complementaridade que funciona

A estrutura comercial entre os países segue uma lógica clara: o Brasil exporta commodities — minério de ferro, carnes (principalmente aves), café, celulose, alumínio — e importa do Japão bens industriais e tecnologia, como autopeças, máquinas e componentes eletrônicos.

Em 2024, a corrente de comércio bilateral girou em torno de US$ 11 bilhões, com o Brasil mantendo um pequeno superávit. Os produtos agrícolas e recursos naturais continuam como espinha dorsal das exportações brasileiras, enquanto os manufaturados japoneses dominam o fluxo inverso.

O Japão permanece entre os principais parceiros comerciais do Brasil na Ásia — um mercado relevante tanto para produtos básicos quanto para oportunidades em setores específicos.

2025: um ano de celebração

O aniversário de 130 anos foi marcado por eventos que mostraram a profundidade dessa relação. Festivais culturais, seminários e intercâmbios acadêmicos aconteceram em várias cidades brasileiras. Instituições como a Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa (Bunkyo) conectaram arte, música e tradições japonesas com a cultura local.

No campo econômico, fóruns bilaterais e memorandos de cooperação abriram caminho para novas parcerias empresariais. A mensagem ficou clara: a relação vai muito além de números de exportação e importação.

Olhando para frente: onde estão as oportunidades?

Para quem trabalha com comércio entre Brasil e Japão, algumas tendências merecem atenção:

Diversificação e valor agregado. Commodities continuarão essenciais, mas há espaço para o Brasil avançar em produtos de maior valor — alimentos processados de qualidade, manufaturados, tecnologia. O Japão, por sua vez, pode intensificar transferência de tecnologia em automação industrial, energia limpa e ciências da vida.

Parcerias em inovação. Projetos conjuntos em agricultura de precisão, energia renovável, robótica e inteligência artificial podem se tornar pilares da cooperação na próxima década. A agenda ambiental oferece terreno fértil para soluções de baixo carbono.

Logística e facilitação. A distância geográfica é um desafio natural. Melhorias em logística portuária, digitalização de cadeias de suprimento e acordos aduaneiros podem reduzir custos e tornar as exportações brasileiras mais competitivas no mercado asiático.

Conectividade humana. As comunidades transnacionais — milhões de nikkeis no Brasil, centenas de milhares de brasileiros no Japão — são um ativo estratégico. O intercâmbio acadêmico e profissional fortalece a confiança necessária para parcerias de longo prazo.

Um legado que aponta para frente

Os 130 anos de relações Brasil–Japão não são apenas história — são fundação. Com uma base sólida em comércio bilateral e oportunidades crescentes em tecnologia e sustentabilidade, os dois países estão bem posicionados para uma década de crescimento e integração mais profunda.
Para quem atua nesse corredor comercial, o momento é de atenção e ação. As oportunidades estão aí.